Um dia de maio

É no mês de maio que a exuberância da Ilha Grande atinge o auge. O fluxo de pessoas diminui, as temperaturas são amenas, as águas ficam mais claras, os raios do sol se integram ao mar criando um efeito quase cinematográfico.

Era um dia desses, cheio de paz. Era para ser um dia comum. Cada um envolto em seus cotidianos.

Taru - nosso mestre no filme "No tempo do dashico"
Taru – nosso mestre no filme “No tempo do dashico”

Mas foi nesse dia, ao final dele, que seu Taru partiu.

Após horas tranquilas, costumeiras, passadas à horta, ao galinheiro, ao almoço preparado pelo filho, à sesta, à sala cheia de retratos e recordações, ele se dirige ao banho. E ali, após a renovação e limpeza da água, Tarumasa Tonaki deixa esse mundo de forma suave e serena.

Paz e mansidão – essas foram as vibrações que pairavam sobre a sua casa quando para lá acorremos. Foi-se como um passarinho, delicadamente.

Não mais o veremos “cultivando a horta, colocando o covo, secando a lula, defumando o peixe”. A ausência desses gestos tão ricos de significado e valor nos torna mais pobres e vazios.

Porém, sua vida e sua morte abundam ensinamentos. Se assim o quisermos, poderemos ser seus herdeiros.

 

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* Seu Tarumasa Tonaki desencarnou no dia 15 de maio de 2018, aos 93 anos.